domingo, 6 de outubro de 2024

Impacto Policial

 


Capítulo 1



Do piano ecoa uma famosa melodia bastante conhecida por todos os presentes daquele luxuoso bar e restaurante, principalmente por Fred Sampaio que sem perceber tirou os olhos do belo par de seios volumosos de Jane para acompanhar o balé dos dedos do instrumentista. “Losing my religion” da incrível banda Nova Iorquina, R.E.M tem esse poder de mexer com os mais sensíveis. Aos poucos ele foi sendo entronizado num passado distante onde a voz de seu pai o alertava quando as mulheres oportunistas.

 — Muito cuidado, meu filho. O poder de convencimento delas é quase divinal.

 Na época o pequeno Frederico não entendeu muito bem o que seu velho pai quis dizer, mas hoje, aos quarenta e seis anos, as palavras ditas por seu Benedito Sampaio fazem todo o sentido.

 — E aí, chefão. O que pretende fazer quando sairmos daqui?

  — Quando sairmos? — Fred deu outro gole no uísque sem gelo.

 — Exatamente! — Abriu um pouco mais o decote.

 — Olha. Eu gostei deste bar. Boa música. Ótima iluminação e decoração, sem contar a bebida que é de qualidade.

 — Eu andei pesquisando sobre massagem tântrica. Estava louca para aplicá-la em alguém. — Se insinuou.

 Fred voltou a olhar para os enormes e chamativos seios da mulher com as pernas cruzadas à sua frente e de repente um dos maiores chefões de cartel de drogas de Helenópolis foi acometido por uma excitação incontrolável.

 — O que essas mãozinhas são capazes de fazer? — Repousou sua mão sobre a mão dela.

 — Já foi a lua, Fred Sampaio?

 — Não!

 — Faço você ir até lá quantas vezes forem necessárias.

 Fred estalou suas falanges chamando atenção de seus guardas costas.

 — Vamos embora.


*


Fred Sampaio não deu somente um passeio na lua. As mãos de unhas postiças de Jane o fizeram flutuar por entre planetas, estrelas e outros astros. Deitado naquela cama de hotel cinco estrelas, nu, com o seu corpo escultural lambuzado de óleo de amêndoas e uma bela morena clara realizando as mais delirantes manobras em seu órgão genital, o traficante se entregou de corpo e alma à prática.

 — Por que ninguém nunca me falou que era tão bom esse negócio?

 — Jura, foi tão bom assim?

 — Acho que vou querer o segundo tempo.

 — Hum! Já está tarde, e os seus homens lá fora? — Despejou mais óleo em seu peito.

 — Tem razão. Vou dispensá-los. Não quero ninguém me apressando.

 — Ótimo! Onde paramos?


*


Seu Adalberto Negrão abriu outra lata de cerveja e se serviu. A seu lado  Ângelo iniciou a contagem das latas em cima da mesa.

 — Espero que esta seja a última da noite, não é pai?

 — Certamente que não. Ainda tem a da madrugada. — Riu erguendo a tulipa na direção de Magali. — A mocinha não bebe?

 — Não seu Adalberto. Eu não funciono bem com álcool. Muito obrigada.

 Após o jantar e também da lavagem das louças, o velho Adalberto esticou as finas canelas em sua estimada poltrona reclinável dando sequência a sua leitura. Na varanda, com a brisa fresca circulando por ali, a dupla de agentes conversa informalmente sobre família. Magali Duarte pertence a uma que, desde quando ela ainda era uma menininha no interior de Helenópolis, convive com os altos e baixos da relação de seus pais.

 — Eu sei que no fundo eles se amam, mas é complicado às vezes.

  — Aqui em casa foi diferente. Meu pai sofreu muito com a morte da minha mãe. Eles eram cúmplices demais.

 — E como ele está hoje em dia?

 — Não posso dizer que ele superou a perda do grande amor da vida dele, mas posso afirmar que o velho Adalberto mata um leão por dia.

 A policial negra de cabelos cheios e cacheados olhou para o parceiro de farda por um momento deixando um lindo sentimento tomar conta dela.

 — É admirável a sua relação com seu pai.

 — Nos esforçamos.


*


 A camareira deixou o quarto 305 em pânico após ver o corpo nu e com sua garganta cortada. Lá dentro jaz um de seus hóspedes mais inusitados estirado na imensa cama redonda. Seu desespero foi tão grande que alarmou o andar inteiro.

 — O que aconteceu Creusa do céu? — Berrou a recepcionista.

 — Tem um defunto no quarto 305. Ligue para a polícia.


*


Rubens Sodré, chefe do departamento policial de Helenópolis. Um sujeito mau humorado por natureza, mas que possui uma larga e brilhante carreira na segurança pública. Amado por poucos e odiado pela maioria de seus subordinados, Sodré nunca se abalou devido a isso. Elegante, bonito, dono dos mais sombrios olhos azuis ornamentado por óculos de lentes finas, o chefe do DPH faz de sua profissão um verdadeiro sacerdócio e exige de todos a mesma postura. Ao ser notificado sobre a morte de Fred Sampaio, o seu humor que já não é lá essas coisas se tornou um tsunami devastador.

 — Negrão e Duarte dêem uma olhada nesta ocorrência. — pôs o papel em cima da mesa.

 Quase sofrendo um infarto, Magali olhou para o chefe.

 — A senhora não está sonhando, agente Duarte. Finalizaram Fred Sampaio num quarto de hotel.

 — Tiros? — Perguntou Negrão.

 — Não. Degolado. Quero os dois no caso. Essa cidade vai pegar fogo com a morte desse sujeito então, se preparem. — Saiu.


*


Infelizmente a profecia de Sodré estava se cumprindo. Não foi preciso mais do que duas horas para que toda Helenópolis pegasse fogo com a morte de Fred. Assim que chegaram ao hotel a dupla de agentes pôde sentir na pele uma atmosfera pesada, carregada de tensão. Ao descer da viatura, Negrão andou apressadamente até um dos PMs que guardava a entrada do lugar e pediu que reforçassem a segurança em torno do quarteirão.

 Se fora do hotel o clima é de apreensão, dentro dele é quase impossível respirar. Sobe e desce de funcionários. Falatórios e olhares desconfiados.

 — Odeio quando isso acontece. — Falou Negrão subindo as escadas.

 — O que?

 — A guerra entre as gangues havia cessado, lembra? Sodré tinha razão. Fred Sampaio é figurinha carimbada no meio criminoso. Vamos ter trabalho.

 — Um problema de cada vez, detetive Negrão. Pode não ter sido obra de grupo rival.

  Depois de se identificarem e cumprimentarem aos agentes presentes dentro do quarto, Negrão e Magali foram direto para a cena do crime onde um perito baixinho e barrigudo se esforçava para a conclusão de seu trabalho. Bastante conhecido no meio por sua falta de proatividade, Mentira, apelido que Gustavo odeia, olhou para as pernas da detetive sem ao menos disfarçar.

 — Algum problema com as minhas pernas, Mentira? — Duarte jogou o peso do corpo para a perna direita.

 — Nenhum problema. Elas são perfeitas. Negrão é um cara de sorte.

 E sou mesmo, pensou olhando para o corte no pescoço do cadáver.

 — Mas o que temos aqui, Gustavo? — Negrão se aproximou um pouco mais da cama.

 — Um corte profundo causado por uma navalha.

 A dupla de agentes se olharam.

 — Certeza? — Magali olhou mais de perto.

 — Posso não deixar isso claro, mas, sou um profissional.

 Não era uma boa notícia. Se o que passa pela sua cabeça no momento for comprovado,  Ângelo estará diante de mais um problema, e ainda mais complicado. Há alguns anos ele vem no encalço de uma assassina profissional que presta seus serviços para figurões do crime. A Coelho. Linda, sedutora e mortal.

 — A guerra começou de fato. — falou Negrão se afastando. — O mau humor do chefe infelizmente vai piorar.

 — Está falando sério? — Duarte fez uma careta.

 — Muito sério. — Deixou o quarto em direção a recepção.



Capítulo 2



Dentre os cinco filhos gerados pelo casal Macedo, Jane sempre foi a mais esperta, a mais bonita e também a mais sagaz. Gostava de estudar, adorava as primeiras posições nas competições esportivas escolares e era amante dos mais belos rapazes de sua classe. A natureza foi bastante generosa com ela. Quando ainda era uma adolescente de quinze anos, Jane já arrancava suspiros de meninos abobalhados mergulhados em testosterona. Por onde ela passava deixava seu rastro de sensualidade. Isso era motivo de orgulho e de muita preocupação também por parte de seus pais.

 — O que será de nossa menina com toda essa beleza? — Dizia seu pai.

 Jane Macedo se formou em pedagogia, mas algo ou alguém soprou em seus ouvidos lhe dizendo que ela não chegaria a lugar algum sendo uma pedagoga. O lado errado falou mais alto e Jane caiu como uma coelhinha. Mente fraca dá nisso. Ela largou os estudos mergulhando fundo no submundo oferecendo seus caros serviços a quem realmente poderia pagar por eles.

 — Foi muito difícil? — Perguntou Osmar Ruas se esforçando para não cair em tentação perante sua contratada.

 — O esperado. Fred Sampaio podia muito bem ser um monstro como era conhecido no meio da bandidagem, mas caiu de joelhos perante a Coelho aqui.

 — O que acha de trabalhar para mim de forma permanente?

 De repente Jane se viu diante de um dilema. Quando entrou para a vida do crime, o plano era trabalhar como freelancer. Estar presa a um determinado grupo e recebendo ordens de homens como Osmar Ruas não seria algo saudável. Assim como Fred Sampaio, Ruas não inspira confiança.

 — Lamento. Terei que declinar. Espero não o ter desapontado.

 Osmar deixou sua cadeira atrás de uma incrível mesa de tampo de vidro temperado e caminhou bem devagar em direção a diva criminosa.

 — De forma alguma. Mas peço que repense minha proposta com carinho. Tenho outros planos para Helenópolis e você se encaixaria perfeitamente neles.

 Coelho anuiu.


*


Para a maioria dos policiais o DPH é de uma certa forma a sua segunda casa. Há casos de agentes que passam mais tempo ali dentro focados em desvendar casos do que aninhados em seus lares.  Ângelo Negrão não é adepto a essa situação. Apesar dos pesares ele ama estar com seu pai e jamais o trocaria por ocorrência alguma. Família é tudo e sem ela o ser humano não obtém sucesso em qualquer área da vida.

 — Bingo! — Vibrou Magali lhe trazendo uma folha de papel. — Você acertou em cheio.

 — A Coelho entrou em ação mais uma vez. — Pegou o papel onde há a imagem de Jane deixando o hotel.

 — Ela foi vista com Fred Sampaio num bar.

 — É a especialidade dela. Ela tem um poder de atração sobrenatural. — Disse ainda olhando para a foto. — Quer mais um palpite? Algo me diz que Coelho está a serviço de alguém muito poderoso.

 Magali abriu o notebook.

 — Alguém muito poderoso, tipo, o maior dos criminosos de Helenópolis? — A extensa ficha de Osmar Ruas, assim como a sua foto, ocuparam a tela do notebook.

 — Bingo, novamente. — Negrão estalou as falanges.


*


Ser um policial era um dos sonhos de  Ângelo quando ainda vestia calças curtas. Na verdade ele desejava ser muitas coisas: bombeiro, veterinário, jogador de futebol, até mesmo massagista ele cogitou. A oportunidade de ser um agente da lei bateu em sua porta e ele não a desperdiçou. Seu Adalberto e dona Irene Negrão deram duro para ajudá-lo em sua formação e quando tudo foi concluído eles puderam bater no peito e dizer ao universo o quão orgulhosos eles estavam. Infelizmente dona Irene partiu antes do filho assumir seu primeiro caso, mas isso de forma alguma lhe trouxe infelicidade. Negrão prometeu para ele mesmo que trabalharia bastante e tudo isso em nome de sua mãe.

 — Já chegou, baitola? — Falou seu Adalberto deitado no sofá assistindo ao seu seriado favorito.

 — Olha o respeito, vou prendê-lo por desacato. — Jogou as chaves junto com o distintivo e a arma no coldre em cima da mesa de centro.

 — E a gostosa, ela vem jantar aqui?

  Ângelo pôs as mãos no rosto.

 — Magali Duarte, este é o nome dela, pai.

 — Pode até ser, mas você há de concordar que ela é tesuda.

 Sim, e muito, pensou.

 — Vocês formam um belo casal. Nunca pensou em chamá-la para sair?

 — Magali é minha parceira. Não podemos misturar as coisas.

 Adalberto sentou-se e diminuiu o volume da TV.

 — Eu já te falei como conheci sua mãe? Nós trabalhávamos no mesmo setor. Irene mal olhava para mim e eu a cada dia ficava mais apaixonado por ela. Certa ocasião eu a convidei para almoçar e foi neste dia que a nossa história teve início.

  Ângelo pode ver os olhos de seu pai ficarem úmidos.

 — De repente a mulher da sua vida está do seu lado e você não se deu conta.

 Silêncio.

 — Vamos tomar uma gelada? — propôs Negrão.

 — Só se for agora. — esfregou as mãos.


*


O pôster de sua banda predileta desde os tempos de adolescência ajuda a deixar a pequena sala de seu apartamento um pouco mais aconchegante. Jane Macedo ama Guns N roses e mesmo não dominando bem o idioma ela canta todos os seus hits a plenos pulmões principalmente quando está no banho. Claro que há outros artistas por ali: Elton John, Michael Jackson, Beyonce, Shakira e Bruno Mars. Cada um ocupando uma parede.

 Melhor que um banho quente, uma xícara de café ou até mesmo uma dose dupla de Campari e saber que sua conta bancária anda bem movimentada. A morte de Fred Sampaio a fez ficar um pouco mais bem de vida digamos assim. Não é a primeira vez que ela trabalha para Ruas. Quando o mestre do crime a solicitou há um ano, ele depositou em sua conta o suficiente para que ela curtisse férias por mais ou menos dois anos tranquilamente. Dinheiro nunca foi problema para um homem como Osmar.

 Ao deixar o quarto segurando o celular aberto em seu aplicativo do banco, Coelho explodiu em gargalhadas ao contar a quantidade de dígitos em seu saldo. Uma pedagoga jamais conseguiria ganhar em dez anos o que ela ganhou em uma noite. O crime compensa?



Final 


A casa noturna a qual Jane faz da maioria de suas noites seu ponto de diversão garantido localiza-se no centro de um dos bairros mais ricos de toda Helenópolis. O lugar realmente não é para qualquer um. Além dos preços estarem bem acima da tabela, o comportamento de seus moradores deixa claro o quão alto é o seu estilo de vida. Mesmo estando rodeada de pessoas cuja as contas bancárias são quem dita as regras, a Coelho ainda assim prefere passar algumas horas entre esses seres.

 Assim que entrou ela percebeu a presença de uma negra incrivelmente linda ocupando um dos bancos do balcão. Vale ressaltar que Jane Macedo tem verdadeira tara por homens, mas também nunca dispensou uma brincadeirinha entre pessoas do mesmo sexo. Sorrateira feito uma serpente, a assassina de Fred Sampaio encostou seu abdômen no balcão de mármore marrom já pedindo seu drink favorito. Enquanto aguardava a chegada do pedido ela trocava olhares com a negra de vestido justo branco batendo acima dos joelhos.

 — Eu nunca a vi aqui. — começou Coelho.

 — Sou nova na cidade. Este lugar é incrível.

 — Também acho. Posso te pagar uma bebida? — Jane se aproximou um pouco mais.

 — O que você pediu?

 — Um Negroni.

 — Pode ser uma limonada italiana. Estou tomando remédio.

 Coelho esboçou um sorriso.

 — Como quiser.


*


Jane abriu a porta do seu apartamento deixando que a negra maravilhosa entrasse primeiro. O tempo todo Coelho sentia a adrenalina percorrer seu corpo inteiro diversas vezes.

 — O que achou do meu cafofo?

 — Muito legal. Eu também curto bandas de rock antigas. — apontou para o pôster do Guns n Roses.

 — Além de música, você curte sair com meninas? — Jane a segurou pela cintura.

 — Claro.

 — Vou pôr uma música.

 A negra sorriu envergonhada.

 — O que foi?

— Eu tenho fantasias. Gosto de estar no comando. Se importa de ser algemada?

 Ela bem que tentou, mas Jane não conseguiu segurar a onda de gargalhadas.

 — É a primeira vez que ouço isso.

 — Podemos ou não? — perguntou novamente a negra.

 — Vamos ver se você é o que parece ser.

 A música já preenchia todos os cômodos do apartamento quando Jane aguardava a volta de sua convidada especial do banho algemada na grade da cabeceira da cama. Sua excitação era tamanha que ela mal conseguia ficar deitada.

 — Vamos logo meu anjo, estou subindo pelas paredes.

 Antes mesmo que a criminosa pudesse terminar a frase, Negrão adentrou ao quarto mostrando seu distintivo e dando voz de prisão.

 — Jane Macedo. A senhora está presa pelo assassinato de Fred Sampaio.

 Coelho não esboçou reação alguma, apenas olhava para o policial parado na porta do quarto.


*


Rubens Sodré fez questão de parabenizar seus dois agentes publicamente. Mesmo com sua velha expressão fechada era possível ver em seus olhos o orgulho que sentia no momento. A prisão de Jane Macedo trouxe dois benefícios a cidade: em primeiro lugar, a retirada de circulação de uma assassina contumaz e também, através desta prisão, a polícia chegará ao maior chefão do tráfico de entorpecentes do país na atualidade.

 — A nossa missão ainda não está completa. Precisamos fazê-la falar quem está por trás da morte de Fred. — Declarou Sodré entrando em sua sala.

 — Coelho é uma bandida vivida. Com certeza ela vai querer algo em troca. — Completou Duarte.

 — Tá certo. — começou Negrão. — eu falo com ela. Vamos ver o que ela tem a dizer.


*


Olhos claros bem abertos. Pernas cruzadas. Aparentemente Coelho parece não se importar muito por estar algemada a uma mesa de aço inox dentro de uma sala de paredes escuras aguardando para ser interrogada. De repente a porta se abriu e por ela entrou um agente de aparência saudável e rosto sereno. Negrão quase perdeu o rumo diante da beleza estonteante da fora da lei.

 — Sou  Ângelo Negrão. Podemos conversar?

 — O senhor está em sua casa, detetive Negrão.

 — Ótimo! Para quem está trabalhando?

 — E o que eu ganho com isso? — esboçou um sorriso.

 — Veja bem, senhora Jane…

 — Prefiro que me chame pelo meu vulgo.

 Apesar da marra, Negrão não conseguia sentir raiva dela.

 — Veja bem, Coelho. A senhora não está em posição de exigir nada aqui, então…

 Coelho descruzou as pernas proporcionando ao policial uma visão pra lá de sensual. Negrão não conseguiu evitar o olhar.

 — Acho que o senhor gostou do que viu, não é, detetive?

 — Estou no exercício do meu trabalho. Podemos terminar logo com isso?

 — Vai depender muito do que o senhor tem a me oferecer.

 Houve um silêncio bastante barulhento aos ouvidos de Negrão que precisou ser rápido, ele estava perdendo o controle da negociação.

 — Você matou um dos maiores chefões do tráfico e com isso contraiu inimigos dentro e fora da prisão. Se você falar para quem trabalha e o que ele está tramando, consigo fazer com que a senhora cumpra sua pena num presídio bem distante de Helenópolis. Fechado?

 Jane pensou na proposta demoradamente e só então algo lhe veio à mente.

 — Vou querer pelo menos duas visitas íntimas na semana. Sou uma mulher sexualmente ativa.

 Negrão cruzou os braços.

 — Já pode começar a falar.


*


Assim que o já previsível e temido nome Osmar Ruas foi mencionado por Coelho, imediatamente o cérebro do detetive deixou a zona defensiva para a ofensiva. A polícia de Helenópolis precisa agir rápido e com inteligência para desarticular a quadrilha de Ruas. Rubens Sodré convocou toda sua equipe para uma reunião de última hora na sala de conferências e ali despejou a bomba sobre seus oficiais.

 — Osmar Ruas tem um plano que precisa ser aniquilado. A nossa cidade, mais do que nunca precisa de nós, então, conto com cada um dos senhores para essa grande missão. A guerra vai começar.


Fim da primeira parte.