sexta-feira, 21 de abril de 2017

João Carlos Taveira


João Carlos
Taveira


              - Por favor, uma xícara de café, e bem forte por favor. - pede Taveira ao garçom.
                 O dia começou péssimo para João Carlos. Além de chegar tarde na cena do crime, ele foi hostilizado pelos colegas que lá estavam. Foi preciso a interversão dos outros companheiros para não haver uma briga. Tudo por que a bebedeira de ontem o deixou de ressaca hoje. Quando recebeu o telefonema do departamento policial, Taveira ainda dormia no sofá. Quando finalmente chegou na casa onde ocorreu o crime, outro agente já havia assumido o caso.
                  - Droga, logo ele, o sujeito mais nojento do departamento.
             O café chega saindo fumaça de tão quente. João Carlos confere a hora no relógio.
               - Sete e quinze. - Olha para estabelecimento já repleto de clientes. - vou querer um pão na chapa, por favor.
                 - Muita, ou pouca manteiga senhor?
                 - Pouca.
               Enquanto aguarda a chegada do pedido, Taveira saca o celular para conferir as últimas notícias em seu site preferido. Ele resmunga em saber do resultado do jogo de ontem. Mais uma vez seu time perdeu. O pão na chapa chega. A ressaca é forte. Ele toma mais um gole de café forte e olha para a porta da padaria. Nesse momento dois caras entram e se dirigem ao balcão. Dois jovens bem-vestidos. De onde Taveira está é possível ouvir a conversa.
                 - Dois cafés e dois pães com ovos, por favor.
                 João Carlos relaxa, são apenas clientes assim como ele. Seu telefone toca.
                 - Oi. - diz ele.
                 - E ai, como foi a noite. - diz uma voz feminina.
                 - Uma merda. - come o pão.
                 - Nossa, foi tão ruim assim, eu fiz tudo o que você pediu.
                - Certo, eu digo depois que você foi embora, sabe aquela garrafa de uísque?                  Então, bebi a metade, estou péssimo, cheguei tarde no trabalho. - Taveira volta a olhar para os rapazes no balcão.
               - E ai, vamos nos encontrar hoje?
               - Não sei, gata, vou te ligar mais tarde, certo?
               - Vou ficar esperando, tá bom? Beijo.
               - Beijo!
             Ele coloca o celular no bolso do paletó olhando para um dos rapazes, para o mais alto. Taveira suspeita de alguma coisa por baixo da camisa e resolve conferir de perto.
               - Com licença, posso ver os documentos dos rapazes?
             Os dois olham para o homem alto de terno azul-escuro e gravata branca com estranheza.
               - Você quem é? - pergunta o mais baixo.
               - João Carlos Taveira, investigador de polícia, quero os documentos agora.
             Os caras se olham e um deles dá um passo para trás. Taveira saca seu trinta e oito quando o rapaz também saca sua arma, uma pistola.
               - Solte a arma, você está preso. - vocifera João Carlos.
              As outras pessoas começam a correr. Os marginais estão assustados e Taveira não para de dar voz de prisão. As armas são apontadas. Os corações se aceleram. É preciso pensar rápido.
               - Solte a arma. - grita.
               - Qual foi cara, nos deixe ir embora. - fala o mais baixo.
               - Vocês vão sair daqui sim, mas comigo e algemados.
               Os minutos parecem horas até que o investigador tem uma ideia. Negociar.
               - Tudo bem, vou abaixar a minha arma, ok?
               - Está tentando nos enrolar? - diz o que segura a pistola.
               - Não, só não quero morrer e acho que nem vocês querem morrer, não é?
              Silêncio. O dono da padaria e os funcionários estão nervosos espremidos num canto atrás do balcão. As armas continuam apontadas. O marginal treme e não tira os olhos do policial.
               - Vamos abaixar nossas armas? - propõe Taveira mais uma vez.
               - Isso está fora de questão.
            A tensão só aumenta. Taveira usa toda sua experiência em negociação e aguarda uma oportunidade. Mesmo sem tirar os olhos do bandido ele consegue ver ao redor. Caso aconteça uma troca de tiro ele só terá o balcão para se proteger. O marginal volta a tremer e numa fração de segundos ele tira o dedo do gatilho. É agora ou nunca. Taveira fica frio feito uma pedra de gelo e atira acertando o ombro do homem. O comparsa tenta correr mais é alvejado na perna.
                - Eu avisei. - João Carlos Taveira pega as algemas.
             Todos aplaudem a atitude do investigador. Pelo celular ele chama reforços.     Ainda com dor de cabeça ele é elogiado pelo dono da padaria.
               - Senhor João, muito obrigado, o café e o pão na chapa fica por conta da casa.
               - Valeu Joaquim.
          O reforço vem e com muita preguiça Taveira se levanta. Hora de ir para o departamento. Encarar a quarta feira será algo quase impossível. Taveira não vê a hora de terminar o plantão e cair nos braços de Dora. FIM  

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